Fatos, informação e inocência
Vejo muita gente emitindo alertas sobre fakenews. Louvável. Sabem o prejuízo da desinformação. Mas, há um ponto cego no parabrisa no carro desse saber. No parabrisa, quanto mais no retrovisor.
Você sabe o que é deformar uma notícia? Sabe que o fato é interpretação de alguém e que, por isso, está condicionado às intempéries emocionais, ideológicas e limitações cognitivas do "reportador dos fatos"?
Sei, sim! Sabichão.
Você está consciente de suas próprias ideologias? De suas emoções e limitações cognitivas?
A ciência de algo, e de um fato, também, devem ser vistos e revistos. Analisados, reanalisados, interpretados e reinterpretados. Por quantas pessoas quiserem (e puderem). Logicamente, é preciso algum conhecimento específico e certa habilidade de convencimento. E um núcleo mínimo de concordâncias e consensos deve ser encontrado e validado pela crítica. Sempre em suspeição, assim é encontrada as respostas.
Na ciência, na matemática, na física astronômica, na história e até na teologia há debates calorosos. Disputas, concorrências, interesses e, também, consensos e verdades. Sim, olha ela aí! A verdade. Algumas já tem milênios e ninguém questiona mais. Outras "verdades" são apenas narrativas, ideologias, desejos e mesmo autoritarismo. Ciência se constrói em banho - maria, em guerras abertas ou secretas.
Conhecimento não combina com fakenews; nem inocência.
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