O Boi de Piranha e a "Nova" Sociedade

    Uma mãe de 25 anos tomba assassinada por bandidos fuzis. Tombou na guerra ancestral de toda mãe; proteger o seu filho com a própria vida. Em seu instinto materno usou seu corpo para acolher dois tiros de fuzis que poderiam atingir seu filho. Morreu assim, indo para o trabalho. Morreu porque traficantes resolveram acertar as suas contas ali, na hora do rush. Apanhada no fogo cruzado, deu sua vida para salvar o que tinha de mais precioso; seu filho.

     Os desavisados poderiam colocar a culpa na sina do Rio de Janeiro, um tipo de síndrome de Gabriela; ele nasceu assim, vive assim, morrerá assim. Contudo, as guerras travadas pelos fuzis bandidos do Rio e as balas perdidas "achadas" por inocentes, desta vez, estão sendo sustentadas por decisões políticas, ideológicas e por uma jurisprudência militante. Na política ideológica, Alessandro Molon, pediu ao STF para proibir a polícia do Rio de subir os morros. Fachin, ministro do nosso militante STF, aprovou. A guerra entre os traficantes tomou a cidade. A polícia, proibida até de monitorar essa guerra com seus helicópteros e prestar atendimento aos cidadãos atingidos por essa infâmia, assiste a tudo de mãos atadas. O tráfico tem 44 mil soldados, a polícia  tem 34 mil. O tráfico tem armas, autoridades, dinheiro, políticos e milhares de simpatizantes na imprensa tradicional e no meio artístico. Ana Cristina da Silva, a mãe,  tem apenas os seus familiares em luto. Não haverá comoção nacional por ela. Ela protegeu o seu filho, morreu para salvá-lo. Não cabe aqui nenhum direito a essa mulher, nenhum veemente protesto no Jornal Nacional em nome da vida e da justiça. Não teremos lacre. Não interessa a agenda ideológica progressista. Essa mãe foi imolada no altar do esquecimento midiático, da covarde e abjeta militância jurídica. 

   Aos olhos da grande mídia, da ala progressista político-jurídico, Ana Cristina é apenas mais um boi de piranha; o boi que entra primeiro na água atrai a maioria das piranhas e, assim, os demais passam. Igualmente, ela foi lançada a morte por militantes esquerdistas para que a agenda siga seu curso rumo a uma "nova" sociedade.

     Não temos pessoas chocadas, não temos defensores da vida, da mulher, do direito da criança. A guerra pela retomada do poder nos morros, nos gabinetes, na mídia e nos tribunais é tudo. A indignação seletiva é a revelação de que a humanidade foi esfolada em praça pública em nome do "bem" e do "amor".

  

      

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