A Bíblia e sua atualização; um mote ancestral

 

A Palavra de Deus, para ser compreendida, requer conhecimento histórico, contexto. É preciso que saibamos expor suas conexões com a cultura antiga, suas exortações ao tempo em que foi escrito. Isso não é a “história toda”, porém. É preciso saber qual era o homem que ela se referia; quais as suas debilidades, sua mentalidade, seu sentimento e raciocínio. E é aqui que o liberalismo teológico de Ed René Kivitz (e tantos outros) encontram sua confusão, sua nocividade.

A história tecnológica, as sociedades em formação e a ciência evoluíram, mas o ser humano continua com seus dramas, suas angústias e culpas. Seus medos continuam os mesmos, embora sejam ativados a partir de outros elementos culturais/materiais.

A pessoa que busca a religião quer salvação e redenção desse "mundo perdido” não o quer transformar enquanto “aldeia global”; quer mudar a si mesmo, fazer uma limpeza interior, desintoxicar sua alma, seu self, sua vida. Mudar o mundo, a humanidade provou que é capaz. Mudar a si mesmo, enquanto ser no mundo, enquanto aqueles que entendem a gratuidade da vida e da benção de ter um Deus que nos quer salvar de nós mesmos, de nossas construções mundanas danosas a nós e a nossos semelhantes, é tarefa inconclusa, de insignificantes avanços. O homem perdeu a alma e a busca em cada novo invento e novas metáforas, contudo essa salvação está para fora e para além de si; está em Deus, revelada em Seu filho Jesus. Conforme a Bíblia aponta.

Assim, a história do progresso dos inventos humanos, exclue a sua alma, o seu ser, a sua existência significativa: esta continua como a dois mil anos atrás; irremediavelmente perdida, fragmentada, estilhaçada. Essa religião terrestre que quer salvar o mundo esqueceu-se que o mundo são pessoas que sentem dor, medo, raiva, tristezas e alegrias. E, estas pessoas, continuam com sempre foram; alienadas de si e de seu propósito.

            Falar do contexto histórico e dizer que não se aplica mais é fácil. Falar de que este contexto histórico traz a tona tudo aquilo que somos e que negamos, é a verdadeira dificuldade. O mundo material se atualiza; a humanidade continua a mesma. O texto bíblico aponta para o homem que é contraditório, alienado, pecador, autossabotador e, por isso, carente de um Deus que tem poder pra salvar.

                No seu âmago mesmo, a teoria de uma Bíblia esvaziada de sentido no mundo contemporâneo, quer mostrar o quanto o ser humano é bom, que é autossuficiente e que é melhor que a dois mil anos atrás. Nada mais anti-histórico e anti-bíblico; a história não é sobre a evolução do homem e a bíblia não é massageadora de egos.

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