O "slow motion" social das incógnitas de um Brasil diferente (?)

  O brasileiro quer trabalhar, pagar suas contas, ter dinheiro e algum tempo para o lazer. Também quer saúde, educação e justiça (proteção contra a criminalidade e leis funcionais). Contudo, eis que os desejos da maioria das pessoas estão sendo propositalmente ignorados a décadas por políticos e instituições públicas.

     O desemprego esteve sempre em alta na última década e, atualmente, a pane social causada pelas medidas sanitárias por conta da pandemia do covid acrescentou novos milhões de desempregados ao país. Pagar contas sem emprego é mágica que nenhuma sociedade fez, ainda. Deste modo, o entretenimento e o lazer tornaram-se piadas ácidas e uma exigência pueril frente as prioridades do dia-a-dia.

     Saúde significa filas enormes, horas de espera por um atendimento superficial e mau humorado. Na crise da saúde trazida pela pandemia, os desvios bilionários de verbas destinadas para o combate a doença estão sendo detectados em todo o Brasil pela Polícia Federal. A crueldade dessas autoridades envolvidas na roubalheira é revoltante.

     A educação no país é disputa financeira de lobbies e de políticas partidárias. Resultados vergonhosos mesmo com investimentos equiparáveis ao primeiro mundo. Não obstante, o carreirismo oportunista e esquemas corruptos estão na ordem do dia.

     A justiça está cada vez mais militante, prendendo jornalistas conservadores ( última moda jurídica), interferindo no poder executivo e chantageando o poder legislativo (obviamente, não é nenhum santo). Paralelamente condenam a anos de prisão ladrão de fruta na feira, mas soltam milhares de bandidos e psicopatas perigosos. Protege o tráfico de drogas no Rio de Janeiro e libera corruptos pegos com a mão "na massa". 

     A maioria dos intelectuais brasileiros faz análises "conjunturais" sofríveis, repetindo os velhos slogans, clamando as carcomidas ideias socialistas e "neocomunistas" como solução a uma "sociedade dividida". Enquanto isso, a ressurgente direita se divide e se sabota, dividida em, pelo menos, três grupos:

1. A direita reacionária que quer ditadura já e  desenvolvimentismo na área econômica. Poucos, mas barulhentos. São os preferidos pelos detratores do presidente.

2. A direita conservadora que quer o costume e a tradição cultural sendo respeitados. Quer o laissez - faire na economia. Embora, haja grandes pensadores e estrategistas por aqui, a empáfia e fogueiras da vaidade são as suas fraquezas mais evidentes.

3. A direita liberal que quer uma agenda cultural negociada com a esquerda (na verdade, eles não se importam muito), laissez-faire também e o lucro como a única realidade a ser alcançada por "iluminados" empreendedores. "Senhores" da verdade, e do "equilíbrio". Mostraram-se como traidores impiedosos e, funcionalmente, como uma nova esquerda.

     A utopia esquerdista se tornou uma ameaçadora distopia e, nesse mar de inseguranças e medos, de vazios e omissões, de quebra das leis  pelos famigerados juízes revolucionários em favor de políticos corruptos/corruptores e das mentiras de uma imprensa feiamente desnudada, somente as redes sociais parecem contar-nos a verdade, se soubermos procurar. Estranhamente, o poder executivo liderado pelo presidente Bolsonaro, não é o problema maior do país e  ainda está abocanhando a preferência eleitoral majoritária do país . 

     O povo não sabe e não quer saber de discursos políticos - ideológicos; quer apenas viver plenamente. A luta pela sobrevivência é o que temos, hoje. Enquanto os ideólogos se preparam, os políticos fazem suas alianças espúrias, o niilismo é companheiro de alguns, o pragmatismo de outros.  E, por causa dos poucos que não se renderam nem se venderam, o Brasil respira. 

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