Questões sobre a Vida: Quem vive, quem morre?

     Uma menina, criança de dez anos, foi submetida a anos de abusos e estupros. Engravidou e sofreu um aborto como se fosse uma ação misericordiosa. E aqui reside o dilema cruel: essa ação misericordiosa, o processo abortivo, beneficiou alguém, realmente?
     A criança de dez anos?A sua família? Ou, a chamada "sociedade progressista" que acredita em um controle de quem deve viver e quem deve morrer, devendo apenas analisar  o desejo "consumista" dos pais e sua condição econômica, numa clássica "dialética liberal" oferta e procura? 
       Será que a "sociedade mais tradicional" tem a resposta? A vida devia ser preservada  e outra ser assassinada ou, uma  vida mais nova deveria ser preferível sempre, uma vez que o risco de morte é próprio do nosso viver? Vida é preservação ou vida é sempre novo nascimento? Infelizmente, esse era o dilema e, dando-se qualquer resposta, não seria suficiente.
     A criança de dez anos não tinha condições cognitivas para ser mãe. A família não tem condições para cuidar de outra vida, uma vez que o tio capturado acusa o avô e outro tio de abusarem da menina. O tio acusado estava preso até 2018 e, segundo a polícia, a menina sofre abuso desde os 6 anos.
     Esse dilema marca algo em nosso tempo: a vida humana é sagrada em todas as suas manifestações? Criança, fetal, adulta?
     O procedimento invasivo é "do bem" porque preserva a vida da criança ou "do mau" porque mata a vida do feto menina?
     Teria sido humano manter a gestação até o sétimo mês e depois fazer o parto, doando a criança a uma outra família,  mesmo que as possibilidades de morte da gestante criança fosse considerável? 
     Como o aborto foi procedido, podemos garantir que não haverá sequelas físicas ou cognitivas?
     Penso que o aborto aqui não salvou ninguém. Nem o parto salvaria ninguém. As meninas, criança e feto, foram condenadas a dor no momento em que o abuso começou. E continuam sendo abusadas quando não nos solidarizamos com a dor de quem realmente perdeu a vida ou a sua cor.
     Progressistas e tradicionalistas deveriam estar chorando as vidas roubadas de tanta gente em um mesmo episódio hediondo. Todavia, em nome do discurso político ideológico, estamos perseguindo e não chorando, acusando e não abraçando. Enquanto isso, a pedofilia dentro das famílias incestuosas (tradicionais e progressistas) é um tabu, um cale-se estrepitoso.
     Qual humanidade morreu nessa história? 
     Quem ( ou o quê) tirou a vida?


Comentários

  1. É muito triste. Confesso que minha alma se estreitou ao ver/ouvir esse fato nos jornais. Como diz o próprio texto foi uma solução que não solucionou nada. E a outra também não solucionaria, porque o estrago na vida da criança já havia sido feito. Enquanto isso discutimos o que é certo e o que é errado nesse caso, defendendo com paixão o nosso ponto de vista. A defesa sempre há de ser da vida, da vida vivida plenamente em todas as suas fases, principalmente na infância quando somos nós os adultos os responsáveis por essa garantia.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Realmente. Dói em todo coração que ainda sente. Obrigado por seu comentário.

      Excluir

Postar um comentário

Postagens mais visitadas