Paternidade para além de modismos
A paternidade tem sido confundida como uma segunda maternidade pelas últimas gerações. E como se diz na gíria do futebol, " ninguém se lembra do segundo lugar". Ficou dramático, compreendo (risos).
Ao papel da mãe, entendida como educadora dos primeiros anos e provedora a equilíbrio emocional, somou-se a provisão no e do lar. Ao pai, sobrou a coadjuvância, o repetir do papel da mãe, isolar-se em um mundo "másculo" ou sair de cena aos poucos numa negação de sua importância ou fuga da idéia de família constituída.
Pai não é educador como é a mãe. Ele está ligado com a lei da sobrevivência que aprendeu e passa adiante. Ele não está envolvido com modismos ou sutilezas emocionais, ainda que as tenha e as demonstre muitas vezes; ele aponta o caminho da resistência e da batalha em nome de um clã. Em um mundo pós- moderno que quer se desconectar de elementos naturais e de instintos primevos, não nos deve causar nenhuma surpresa, serem "demissionáveis" aqueles pais que instintivamente irão pontuar os riscos da vida e fornecer as ferramentas da realidade para o enfrentamento das dificuldades que aparecerem aos filhos. O que era sólido, derreteu-se? ( Karl Marx).
Novas postulações de família, um homem mais "light", uma sobreposição da maternidade (pai e mãe exercendo o mesmo papel) e filhos ditadores, incrivelmente sensíveis, inseguros e avessos a autoridade clamam por limites, regulações, censura, segurança, um estado onipotente, onipresente, mas não onisciente. Feuerbach, em sua obra Preleções sobre a Essência da Religião, aponta que a onipresença e a onisciência são competências da onipotência. Assim, a vontade de poder dessa geração carente de pais é, na verdade, a necessidade libidinal de controlar e de saber-se os limites desse controle.
Aqueles que ainda têm pai de verdade, dêem um churrasco de presente a eles. Se vocês quiserem dar um presentinho de alguma loja, dêem. Mas, ver os seus juntos e firmes ao redor da mesa, é tudo.
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