A ressignificação do Sagrado nas novas comunidades cristãs
Ao
longo da história da igreja cristã protestante houve uma marcha rápida para a
secularização. Tornamo - nos científicos, ordeiros e instrumentos
indispensáveis para o sucesso do capitalismo e, alguns pensadores, afirmam que
das revoluções tanto liberais como socialistas também. Paralelo a isso,
destruímos os ídolos, as imagens, os símbolos e a sacralidade de vários
rituais. Eram tidos como símbolos
pagãos, rituais órficos e imagens do satânico em sua maioria. Essa
interpretação, se não é exagerada, pois
sabemos hoje que a "desbarbarização" do que sobrou do Império Romano
cobrou o seu preço, deixa de reconhecer as novas barbáries criadas pela Reforma
Protestante e Contrarreforma (católica).
Não
obstante, surgiu na história da Reforma Protestante o tempo de resgate dos
arquétipos da religião primeira. Os nossos sonhos, visões, manifestações
espirituais e cosmovisão reemergiu nas
profundidades dos êxtases, das experiências espirituais, curas, dons, expulsões
de demônios, sonhos, visões e avivamentos da fé "fundamentalista". Esses
e tantos outros fenômenos com o Numinoso não mais puderam ser arrancados do
fiel. As teologias de Lutero e Calvino
(e outras tantas "contemporâneas") tentaram mensurar, equilibrar,
metrificar e racionalizar Deus, mas o discurso pensado e reduzido se tornou
impreciso e insuficiente para cercear ou
controlar o misterium tremendum que
seduz e alimenta a religiosidade desse "novo" discípulo. Todo o
aparato ritual e teológico atual não garante o controle do homo religiosus.
O
número de ateus é crescente, mas isso não quer dizer fim da religião. Apenas
aponta que o deus deles é marcado pelos
mistificação da matéria. A natureza, o clima, o sol, as relações interpessoais,
as políticas econômicas e sociais são vistas como os novos deuses e por eles o
"incrédulo" vai a luta munido com o seu "livro sagrado": a
ciência. Estranhamente, os primeiros deuses e deusas eram vistos na natureza,
no feminino, nas palavras mágicas...
Contudo,
nessa religião secular não há transcendência, há uma redução do homem como o
pior de todos os animais, como o vírus terrível da vida. A humanidade é vista
como a sombra destrutiva do mundo. Este homem deve ser contido, podado, preso,
transformado, reciclado e diminuído sua expansão sobre a face da terra. A
misantropia é ritual e fala profética de muitos desses novos fiéis. Assim, essa religião celebra o
planeta, a economia sustentável (ou a um tipo de ambiente órfico), alimentos
orgânicos, veganismo, pacifismo e utopias diversas.
O
secularismo protestante trouxe essa religião secular planetária. A
contrarreforma validou por não saber dialogar com as massas alienadas do
capitalismo e não ter o aparato missionário adequado para o enfrentamento dos
estados ateus. A iconoclastia dos reformadores trouxe o "fundamentalismo
extático" de volta. A defesa católica desabilitou o diálogo com o mundo
moderno, por fim.
De
todo modo, mais uma vez, a ortodoxia é aspiração de um lindo sonho de verão;
ainda mais para nossas teologias de um lado, "cerebrais", e de outro,
" sustentáveis". A humanidade
segue a imaturidade, um vir-a-ser. Asas e vôos altos somente nas utopias
socialistas e liberais que se querem progressistas e no carismatismo evangélico
e católico.
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